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Os Desafios de ser Mãe – Adolescência

22/11/2018

No encontro online Os Desafios de ser Mãe – Adolescência, falamos sobre os desafios que enfrentamos nesta fase tão longa do desenvolvimento dos nossos filhos.

Foi muito rica a nossa troca e vou pontuar aqui algumas reflexões que fizemos no encontro. Vamos lá?

Nesta fase tão desafiadora da vida dos nossos filhos, passamos por muitos momentos de dúvida, insegurança e dificuldade em lidar com as nossas emoções e com as emoções deles. 

Pensando nisso, de que forma podemos nos preparar para lidar com as questões importantes desta fase, contribuindo da melhor forma para o desenvolvimento dos nossos filhos e para que trilhemos este caminho com maior tranquilidade e sabedoria?

Precisamos ter uma boa base pra lidar com as vivências da vida seja no lado pessoal, profissional, familiar e coletivo e essa base que nos sustenta é o autoconhecimento. Entender como funcionamos, quais são as nossas qualidades, quais são nossos defeitos, como é a nossa personalidade e de que modo atuamos no mundo. Conhecer-nos em primeiro lugar, nos permite agir com maior segurança e assertividade diante dos inúmeros acontecimentos na vida.

E eu vejo que muitas vezes não priorizamos o nosso desenvolvimento por diversos motivos que se tornam erroneamente mais importantes como: tarefas do dia a dia, compromissos diversos, questões com filhos, família, trabalho é uma ordem imensa de coisas que a gente prioriza e acaba deixando para trás esse trabalho pessoal que é essencial para lidarmos com todas as áreas da vida, tanto que é um foco muito trabalhado nas consultorias.

Mas por que essa base é tão importante?

Porque essa base é o que nos mantém no prumo. Entender o que queremos para a nossa vida, quais são os nossos princípios, os nossos valores e o que é importante para nós. Com essa compreensão o próximo passo é saber o que é importante para nós que nossos filhos saibam e que levem pra vida deles quando tiverem uma vida independente e  tornarem-se adultos.

Com um bom entendimento sobre nós, conseguimos auxiliar de forma bastante consciente a construção da base dos nossos filhos. E essa base é construída desde o início, desde pequenininhos e darão suporte para eles lidarem com as questões que surgem na adolescência como a busca da independência, mudanças biológicas, hormonais e sociais.

Na adolescência tem todo um combinado de vários acontecimentos que precisamos lidar. As explosões emocionais, os testes de limites (porque adolescente testa mesmo, se as crianças testam o adolescente então nem se fala!) com que idade ir à primeira balada, quando conversar sobre sexo, drogas, exposição nas redes sociais, bebidas e relacionamentos. Como lidar com assuntos difíceis e cada vez mais presentes no universo deles como: depressão, suicídio, abuso, preconceito e ainda outros temas importantes para a construção da vida deles como: vestibular, trabalho, política, construção da autonomia, estímulo à criatividade e desenvolvimento das potencialidades, enfim são desafios enormes pela frente.

E como vamos lidar com tudo isso? De que forma? Como achar um caminho com eles? É um caminho de conversa? É uma postura mais rígida? Qual é a comunicação que precisamos ter com eles para que seja uma fase menos turbulenta?

Muitas perguntas e onde encontraremos as respostas? Com tanta coisa que ouvimos por aí a respeito dessa fase acabamos focando muito o lado negativo, mas a adolescência é uma fase entre a criança e o adulto e que pode e deve ser conduzida com entusiasmo e dedicação. É mais uma fase do desenvolvimento humano e que pode ser vivenciada com tranquilidade. Devemos tirar o mito de que toda a adolescência é sombria. Se estivermos por perto, orientando-os e atentos às suas necessidades integrais de cuidado, amor, atenção e afeto provavelmente não será.

São milhares de transformações acontecendo e se existem os riscos inerentes a esta fase, existem também as transformações que são lindas e que devemos incentivar e ter um olhar bonito para todo esse processo.

Porém, se não devemos priorizar somente o olhar para os perigos devemos estar atentas a eles, pois estão inseridos nessa fase em que as referências familiares são deixadas de lado e eles partem em busca de novas referências através dos amigos, grupos sociais, na internet e nas redes sociais e é nessa fase também que eles vão  testar os seus limites. 

Então para lidarmos com todas estas questões eu apresento três pilares como fios condutores para nos auxiliar no processo:

Primeiro: Comunicação clara e adaptada – Eles precisam saber o que pensamos, o que aprovamos e não aprovamos, nossos valores e o que queremos passar para eles. Por isso a importância de sabermos e definirmos quais são os valores e princípios da família e passá-los desde a infância, pois nessa fase precisam ser sedimentados de vez. Isso tem que ficar claro.

De que forma fazemos isso? Uma vez que sabemos o que é importante para nós, precisamos falar isso para eles, mesmo que eles não concordem com o que achamos importante na vida, neste momento. Lá na frente eles tendem a voltar às referências basilares e somarem às suas experiências para comporem a sua visão de mundo. 

Ainda sobre a comunicação, devemos manter esse canal aberto e buscar novas formas de fazê-lo de acordo com a situação. Encontrar uma linguagem que comunique com eles. Pode ser captar o gosto deles e entrar nesse universo (com bom-senso), pode ser relembrar os momentos felizes vividos com eles (isso conecta bem, por mais que eles disfarcem rs) ou até mesmo se fazer presente através das preferências deles que podem ser através da comida preferida , dos filmes, da música e por aí vai. Manter a comunicação com adolescentes é um estímulo para a nossa criatividade! 

É através da comunicação que nos mantemos conectados com eles, orientado-os e construindo mais essa etapa da vida deles. O que muda é a forma de comunicar, pois nesta fase eles parecem não estar muito interessados no que falamos para eles, mas acreditem, manter a comunicação com eles é vital para todo o desenrolar saudável da adolescência deles e da nossa sanidade mental.

Segundo: Limites claros – Uma vez que eles estão cientes do que é importante para nós, devemos estabelecer um canal de comunicação de via dupla. Eles podem e devem opinar em questões que dizem respeito à vida deles, além de estimulá-los a pensar nas consequências de seus atos, vão construindo a base do desenvolvimento da autonomia deles. Negociações que não firam a integridade deles podem e devem ser incentivadas. Um combo que não erra nunca: quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade e vice-versa. Porém, existem coisas que NÃO são negociáveis e que devem ser prontamente acatadas. Não tenha medo de agir em prol do seu adolescente. Adolescentes se colocam em risco! Têm muitas situações que eles não dão conta de se protegerem sozinhos e que mesmo que digam o contrário, devemos estar atentas e agir por eles. Rompeu os limites estabelecidos, aja! Limite + ação = Limitação!

Terceiro: Observação e acompanhamento – Essa é a mais importante quando falamos dos perigos, crucial para nos anteciparmos aos riscos. Observar o que os nossos filhos fazem, o que dizem, com quem falam, o que escutam, a qualidade do sono, o que comem, os comportamentos de modo geral para acompanhar o desenvolvimento deles. Ver como estão lidando com as questões da vida. E nesta fase é uma observação muito mais sutil porque, por eles não estarem mais tão perto de nós quanto antes, é através da observação dos seus hábitos que captamos o que acontece na vida deles. Mas muitas mães reclamam que estão fora o dia todo ou que seus filhos não dizem nada, mas é possível perceber o que acontece com eles se estivermos atentas, mesmo que seja à distância ou que eles sejam muito fechados. Faro de mãe não falha!

O exercício da observação não serve apenas para acompanhar o desenvolvimento ou a alteração de comportamento dos nossos jovens, mas também nos ajuda a captar outros momentos deles como quando estão mais sensíveis precisando de colo (sim, eles ainda precisam colo!), para fortalecer os laços, incentivar um dom ou uma habilidade, quando temos que trazê-los mais perto de nós (protegê-los muitas vezes deles mesmos) e finalmente momentos que temos que falar um belo de um não e dar limites.

Esse ponto da observação é muito importante porque se o adolescente se coloca em risco, estando atentas às coisas que ele faz, com quem anda, com quem conversa – é uma mudança de vocabulário e já ligamos o botão do alerta, sabe? – conseguimos agir antes que se instale o problema e por outro lado, quando fazem algo legal, conseguimos perceber os interesses deles e incentivá-los.

Então a observação nos permite agir diante do perigo e principalmente abrir espaço para o desenvolvimento deles. E o bacana é que os adolescentes dão muitos sinais, eles pedem atenção o tempo todo, pois querem ser guiados, não querem ser conduzidos pelas mãos como quando eram pequenos, mas sentem-se seguros quando sabem que estamos os guiando à distância. Distância no sentido de darmos espaço para eles atuarem e viverem a vida deles com a nossa guiança e supervisão.

ELES QUEREM O NOSSO OLHAR ATENTO e esse olhar é muito importante para o desenvolvimento deles. E isso não é invadir. Podemos observá-los dando espaço para eles se desenvolverem, desenvolverem sua personalidade e construírem sua independência.

E por fim percebemos quando estimular o desapego e onde começamos a transferir as responsabilidades para que eles aprendam a cuidar de si mesmos e do próprio espaço. Vamos soltando conforme eles vão demonstrando que estão dando conta, mas é um soltar orquestrado e nunca largado, isso é a observação e o acompanhamento que permite que eles construam uma base forte e saudável alicerçando o processo de autonomia.

Finalmente gostaria de lembrar-nos que somos passíveis de erros e que nem todo plano conseguimos seguir à risca, pois a vida é dinâmica e repleta de boas surpresas e inúmeros desafios e ouvir o nosso coração e o coração dos nossos filhos ainda é o mais fiel dos caminhos, porém um pouco de estratégia para lidar com as questões da vida é sempre bem-vinda, pois nos dão sentido e direção e  alguma segurança no caminhar. 

Boa sorte à todas nós nesta tarefa linda e duplamente transformadora de educar!

Um beijo e um café!
Francine Sarmemto

Postado por cafe-e-acao


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